
Não sei o que pensas
Nem penso o que sabes
Quando debruças e rebuscas
O fundo da despensa
Onde se guarda
A alma e o hábito.
Não sei o que queres
Nem quero o que sabes
Quando no hálito procuras entender
O gosto que acontece
Do tempo que esmaece
No amor que enfraquece.
Não sei onde estás
Nem estou onde sabes
Quando na hora de fugir
Para o próprio interior
Ainda esperas decidir,
Eu já estou
Nas asas de um condor
Arquimedes Vale
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