
Estico a palavra
torturo-a até a ultima letra
que se contorce como um corpo cansado
Dilacero-a
sobre a folha branca
onde escorre sob o sangue amargo
da minha dor
esquartejo linhas
e entrelinhas
que significam o outro
que ainda não sou
em mim
desejo
e ordem
como um vulcão
que ferve em silêncio
uma montanha de fogo
ou
como o vento que arrasta o telhado
das árvores
exploro seu sexto sentido
arranco sobre os os trilhos negros
todos os seus gemidos
até a fênix da minha
última cópula.
Rafael de Oliveira
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